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+ Depois do duelo particular do ano passado entre “el pistolero” e o cowboy do Texas, as atenções voltam a concentrar-se em torno destas duas figuras incontornáveis, agora sem uma equipa a uni-los: Alberto Contador (Astana), vencedor de dois Tours, um Giro e uma Vuelta, é considerado consensualmente como o homem a abater; por outro lado, Lance Armstrong (Radioshack), que já anunciou ser esta a sua última participação na prova-rainha do ciclismo mundial, promete lutar por uma despedida gloriosa, coroada com a oitava vitória na Volta a França. O ciclista espanhol é, sem dúvida, o principal candidato à camisola amarela, apresentando como pontos fortes o contra-relógio e a capacidade explosiva de arranque nas montanhas. Contudo, a verdadeira operação de delapidação da Astana levada a cabo por Armstrong e Johan Bruyneel para formar a Radioshack – dos nove ciclistas que iniciaram a prova no ano passado pela equipa cazaque, sete transferiram-se para a formação americana – enfraqueceu consideravelmente o apoio de equipa a Contador, deixando-o exposto aos ataques de adversários melhor acompanhados. Armstrong far-se-á valer justamente de uma equipa talhada à imagem das suas necessidades – ainda que um pouco envelhecida… -, bem como da sua experiência de “raposa velha”. O ponto fraco do norte-americano reside, naturalmente, nos seus trinta e oito anos de idade mas o heptacampeão do Tour afirma que está em melhor forma do que no ano passado, quando conquistou o terceiro lugar. Se é bluff ou não, resta ver…
+ No entanto, a luta pela vitória final não se restringe apenas a estes dois ciclistas, com Andy Schleck (Saxo Bank), Bradley Wiggins (Team Sky), Denis Menchov (Rabobank) e Ivan Basso (Liquigas) a perfilarem-se como apostas quase garantidas para os lugares cimeiros da classificação geral. À procura de uma surpresa poderão ainda estar Cadel Evans (BMC), Carlos Sastre (Cérvelo), Robert Gesink (Rabobank) ou até mesmo Alexandre Vinokourov, da Astana, e Levi Leipheimer, Andreas Klöden e Janez Brajkovic (Radioshack), caso os seus respectivos líderes falhem.
+ Na luta pela camisola verde, este Tour arrisca-se a reeditar a rivalidade do ano passado entre Thor Hushovd (Cérvelo) e Mark Cavendish (HTC). Contudo, há dúvidas sobre a capacidade do inglês repetir as seis vitórias de 2009: após um época atribulada, que envolveu desde um problema nos dentes incapacitante até ao espectacular acidente na Volta à Suíça que deixou Tom Boonen (Quick Step) e Heinrich Haussler (Cérvelo) fora do Tour, a forma de Cavendish constitui um dos grandes pontos de interrogação da edição deste ano. À espreita de uma oportunidade de atacar a camisola verde estarão também Tyler Farrar (Garmin), Oscar Freire (Rabobank) e Edvald Boasson Hagen (Team Sky), enquanto as lendas Alessandro Petacchi (Lampre) e Robbie McEwen (Katusha) se apresentam ainda como candidatos legítimos a uma vitória pontual em chegadas ao sprint.
+ O principal favorito à vitória na classificação de montanha é Egoi Martinez (Euskaltel-Euskadi), segundo classificado na edição do ano passado. Entre os adversários do basco poderão estar Pierrick Fédrigo (BBox-Bouygues) e Jurgen van den Broeck (Lotto) mas, na luta que tradicionalmente traz maiores surpresas, não será de descartar a possibilidade de um vencedor totalmente inesperado.
+ Por fim, na disputa pela camisola da juventude, a aposta recai sobre Andy Schleck, que já conquistou esta classificação em 2008 e 2009. À partida, só mesmo uma infelicidade ou má prestação do luxemburguês o poderá afastar da camisola branca mas, na eventualidade de tal acontecer, Roman Kreuziger (Liquigas) e Robert Gesink (Rabobank) serão os mais fortes candidatos a subir ao pódio de Paris.
+ Quanto à representação nacional, desde 1984 que não se via um contingente tão numeroso, com três ciclistas inscritos. Sérgio Paulinho, um dos homens de Contador na edição transacta, terá nesta sua terceira participação a missão de puxar por Armstrong na abordagem às grandes montanhas. O português constituirá certamente uma peça fundamental da estratégia da Radioshack – afinal, Johan Bruyneel não o terá usurpado à Astana por acaso… Em prova estará também outro repetente, Rui Costa, ao qual se deseja um Tour menos acidentado do que em 2009, quando desistiu na sequência de uma queda. O ciclista da Caisse d’Épargne venceu há poucas semanas uma etapa na Volta à Suíça e, na ausência de um líder forte na equipa, poderá intrometer-se em fugas à procura de mais um triunfo para somar ao currículo. Por fim, Manuel Cardoso fará a sua estreia na Volta à França representando a discreta Footon-Servetto. Embora tenha conquistado uma vitória em etapa no Tour Down Under 2010 (Austrália), não se espera que o português compita com os principais sprinters – mas a soma de um ou mais pontos numa chegada em pelotão constituiria já por si um motivo de comemoração.
+ “La Grande Boucle” sai então amanhã para a estrada, com três semanas de intensa competição pela frente até à chegada aos Campos Elísios. Depois da homenagem às clássicas de um dia na Holanda e Bélgica, o próximo fim-de-semana marcará a entrada nos Alpes, iniciando uma sequência de duas etapas de média montanha e duas de alta montanha. O domingo seguinte assinala o primeiro de quatro duros dias nos Pirenéus, culminantes na chegada ao Col do Tourmalet. Apenas dois dias depois, o contra-relógio individual de 52 km e perfil plano definirá por fim a ordenação da classificação geral, sendo a última etapa a tradicional volta de consagração dos vencedores em Paris. Se os perigos do pavé podem fazer estragos nas ambições dos favoritos logo nos primeiros dias, tudo indica que a terceira semana será o momento decisivo da prova. Entretanto, que comece o espectáculo…!
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