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Quarta-feira, Julho 28, 2010

Braga já manda


Foto ASSOCIATED PRESS

+ Aquilo que Paulo Sérgio quer que o Sporting faça, o Braga já faz: já manda. O 3-0 com que os arsenalistas despacharam o Celtic deixa antever que os de Domingos Paciência vão entrar mandões em 2010/2011. Até pode não vir a ser assim, mas pelo menos já lograram mandar borda fora os escoceses - a menos que se assista a uma catástrofe no Celtic Park. Em teoria, ao Braga falta saltar uma etapa para atingir o sonho da fase de grupos da Champions. Esta está quase ganha. A próxima não vai ser fácil. Mas este 3-0 a um histórico do futebol do Velho Continente já ninguém lhes tira.

# Artigo de Da Rocha
Publicado às 22:01


Terça-feira, Julho 27, 2010

Tour de France de 'A' a 'Z'

Schleck, Contador, Petacchi e Charteau subiram ao pódio aos camisolas de vencedores
Fotos GETTYIMAGES, REUTERS, ASSOCIATED PRESS

A de Alberto Contador, tricampeão da Volta a França. O espanhol acabou por sair vencedor da marcação homem a homem com Andy Schleck mas sofreu como nunca: pressionado em todas as etapas pelo luxemburguês, vilanizado pela opinião pública no "caso da corrente" e em baixo de forma no contra-relógio individual, a confirmação do triunfo foi um verdadeiro alívio para 'el pistolero'. Faltou a vitória numa etapa para acompanhar a conquista da camisola amarela mas, como disse o próprio Contador, é mais importante ser o primeiro em Paris do que o primeiro no Tourmalet. Efectivamente, o Tour 2010 não esteve fácil para o ciclista da Astana mas o espanhol acabou por superar as adversidades e entrar para o selecto clube de ciclistas com cinco grandes voltas no currículo. Próximo objectivo? Provavelmente, igualar Eddy Merkx, Jacques Anquetil, Bernard Hinault e Miguel Indurain - isto é, se Andy Schleck não se atravessar no seu caminho...

El Pistolero subiu ao lugar mais alto do pódio pela terceira vez na sua carreira

B de BBox, a equipa francesa com mais sucessos nesta Volta a França. Conhecidas as dificuldades em assegurar os patrocínios para a próxima época, a BBox respondeu na estrada da melhor maneira possível: Thomas Voeckler e Pierrick Fédrigo conseguiram vitórias consecutivas na 15ª e 16ª etapas, enquanto Anthony Charteau surpreendeu tudo e todos ao conquistar a camisola de montanha graças a ataques nas etapas de dificuldade média.

C de Cancellara. O suíço da Saxo Bank viu uma época fabulosa - com vitórias no Paris-Roubaix e na Volta a Flandres - estragada por suspeitas de "doping mecânico" mas não se deixou abater e aproveitou a Volta a França para responder aos críticos. Sem que nenhum motor para além das suas pernas tenha sido detectado na sua bicicleta, 'Spartacus' venceu e convenceu no prólogo e no contra-relógio individual e vestiu a camisola amarela por um total de seis dias.

Denis Menchov fez um excelente contra-relógio individual

D de Denis Menchov. O russo da Rabobank esteve discreto mas regular durante toda a Volta a França e viu a sua prestação premiada com o lugar mais baixo do pódio, o seu melhor resultado de sempre na prova rainha do ciclismo mundial. O momento decisivo para esta conquista acabou por ser o contra-relógio individual, onde a sua excelência na disciplina lhe permitiu ultrapassar Samuel Sánchez (Euskaltel Euskadi) na luta pelo terceiro lugar à chegada a Paris. Com Contador e Schleck um nível acima de todos os outros, o vencedor da Vuelta 2007 e do Giro 2009 poderá nunca superar estes sucessos com a conquista do Tour mas é certo que já deixou a sua marca na principal prova do calendário internacional.

E de Expulsão. A edição 2010 da Volta a França ficou manchada pela expulsão de Mark Renshaw (HTC-Columbia) após a 11ª etapa. O australiano levou tão a peito a sua função de lançador de Cavendish que deu três cabeçadas a Julian Dean (Garmin) e, ainda não satisfeito, apertou Tyler Farrar (Garmin) contra as barreiras quando este lançou o seu sprint. O facto deste incidente se ter dado durante a corrida - ao contrário, por exemplo, do confronto físico entre Carlos Barredo (Quick Step) e Rui Costa (Caisse d'Épargne) - precipitou a decisão da organização de expulsar Renshaw, embora a vitória de Cavendish tenha sido validada.

F de França. O Tour 2010 proporcionou sucessos aos ciclistas franceses como há muito já não se via. A prestação não particularmente brilhante na classificação geral - o melhor classificado foi John Gadret (Ag2r), na 19ª posição - foi largamente compensada pelas seis vitórias em etapas, cortesia de Chavanel (na 2ª e 7ª etapas), Sandy Casar (FDJ), Christophe Riblon (Ag2r), Thomas Voeckler (BBox) e Pierrick Fédrigo (BBox) e com o pormenor destes quatro últimos terem conquistado os seus triunfos em dias consecutivos, entre a 13ª e a 16ª etapas. Nem os mais entusiastas fãs franceses poderiam ter imaginado um saldo final melhor...

Sérgio Paulinho venceu a 10ª etapa do Tour, com meta em Gap

G de Gap, a cidade onde Sérgio Paulinho foi o primeiro a cortar a meta. Na 10ª etapa desta Volta a França, o português da Radioshack conseguiu entrar na fuga certa e, no duelo final com Vasil Kiryienka (Caisse d'Épargne), soube lançar o sprint no melhor momento para garantir a primeira vitória portuguesa no Tour em mais de duas décadas, desde o triunfo de Acácio da Silva em 1989. Numa equipa com Armstrong, Leiphemer, Klöden ou até Brajkovic e Horner, tem o seu quê de irónico ter sido Sérgio Paulinho - um trabalhador de equipa incansável - a oferecer a única vitória à Radioshack. Contudo, o português soube aproveitar a sua oportunidade e foi premiado com um dia de glória que o confirma como o melhor ciclista nacional da última década - juntar um triunfo na Volta a França à etapa conquistada na Vuelta 2006 e à medalha de prata nos JO de 2004 é o que se chama pôr a cereja no topo do bolo.

H de Hesjedal e Horner. O canadiano da Garmin e o norte-americano da Radioshack terão sido, provavelmente, as maiores surpresas do top ten da classificação geral. Ryder Hesjedal ganhou liberdade após o abandono forçado do seu chefe-de-fila, Christian Vandevelde, e justificou o 7º lugar final, a 10'15'', pela determinação de permanecer com os melhores nas montanhas. Já Chris Horner, um veteraníssimo de 38 anos, viu o tempo dispendido a trabalhar para a equipa reposto pela entrada na fuga da etapa dezasseis - e, no fim, terminou como o melhor representante da Radioshack, na 10ª posição da classificação geral, a 12'02'' do vencedor.

I de Itália. No ciclismo moderno, o Giro d'Itália e a Volta a França são cada vez menos compatíveis - o Tour 2010 demonstrou que quem atinge o pico de forma em Maio difilmente recupera para a Grande Boucle. Efectivamente, a maioria das desilusões da prova são ciclistas que participaram na Volta a Itália: o vencedor Ivan Basso (Liquigas) ficou-se por um modestíssimo 32º lugar, a quase uma hora de Contador; Cadel Evans (BMC), quinto no Giro, ainda andou um dia amarelo mas acabaria na 26ª posição; o sexto classificado em Itália, Vinokourov, conquistou uma etapa mas falhou o top ten da geral; Carlos Sastre (Cervélo), oitavo, terminou o Tour em 20º sem brilho ou glória; e Bradley Wiggins (Team Sky) falhou a toda a linha, juntando um 24º lugar no Tour ao 40º arrecadado no Giro.

A bicicleta 'especial' de Jens Voigt

J de Jens Voigt. O veterano alemão da Saxo Bank protagonizou uma das mais caricatas histórias deste Tour 2010. Na 16ª etapa, a bicicleta de Voigt ficou despedaçada quando um pneu rebentou numa descida a mais de 70 km/h. Embora magoado, o segundo ciclista mais velho do pelotão queria prosseguir a prova mas os carros da sua equipa encontravam-se demasiado longe para lhe poderem dar uma nova bicicleta. Alcançado pelo carro-vassoura, Voigt recusou-se a desistir e, finalmente, a organização arranjou-lhe uma bicicleta... de tamanho júnior e pedais antiquados. Diz-se que "a cavalo dado não se olha o dente" e o 'gigante' alemão lá fez vinte quilómetros aninhado na tal bicicleta, até encontrar o carro da Saxo Bank. Ultrapassada esta peripécia, Jens Voigt concluiu a etapa, manteve-se longe de problemas até ao final da prova e chegou ontem a Paris na 126ª posição da geral.

K de Katusha. Depois de, já no ano passado, ter justificado o convite da organização, a equipa de origem russa voltou a ter uma prestação mais do que razoável na Volta a França. Joaquín Rodríguez foi a grande figura da Katusha, não só pelo triunfo na 12ª etapa mas também pelo seu oitavo lugar final na classificação geral.

Armstrong despediu-se da Volta a França

L de Lance Armstrong. O adeus definitivo do à Volta a França não correu como o heptacampeão desejaria. Depois de anos a escapar miraculosamente a quedas e falhas mecânicas, o 'boss' pagou a factura por inteiro neste Tour 2010: do furo no pavé às "duas quedas e meia" na 8ª etapa, tudo o que podia correr mal realmente aconteceu. Contudo, o decepcionante 23º lugar final de Armstrong não se justifica apenas por estes azares - a verdade é que, aos 38 anos, as pernas e a determinação já não são as mesmas, como se viu na etapa em que andou escapado. Ainda que a vitória da Radioshack na classificação por equipas lhe tenha permitido subir ao pódio de Paris por uma última vez, este Tour deixa um sabor amargo a todos os fãs de Armstrong - seria talvez preferível termos ficado com a imagem do ano passado, a de uma lenda no pódio a passar o testemunho aos novos valores do ciclismo.

M de Mark Cavendish. O sprinter inglês chegou ao Tour num momento complicado da sua carreira profissional: em baixo de forma depois da sua preparação para a época ter sido atrasada por problemas de saúde, sob um coro de críticas devido ao acidente causado na Volta a Suíça e altamente pressionado para repetir a fantástica prestação do ano passado, Cavendish arrancou para a prova sob uma forte tensão psicológica. O seu total fracasso nas duas primeiras etapas decididas ao sprint já faziam adivinhar o pior mas o verdadeiro Cavendish acabou por regressar na 5ª etapa, depois de Petacchi lhe ter dito que o problema estava na cabeça e não nas pernas. O mau início de prova impossibilitou-o de chegar à camisola verde mas as cinco vitórias em etapas - apenas a uma do registo de 2009 e com duas conquistadas já sem o seu lançador, Renshaw - e a entrada na história do ciclismo como o primeiro ciclista a vencer nos Campos Elísios por dois anos consecutivos devolveram o estatuto de melhor sprinter da actualidade a Mark Cavendish.

Cavendish venceu cinco etapas neste Tour

N de Neutralização. A segunda etapa do Tour 2010 terminou neutralizada após a descida de Stockeu - húmida e, aparentemente, coberta de óleo - ter feito razia no pelotão, com três quartos dos ciclistas a caírem. A queda aparatosa dos irmãos Schleck deixou-os muito atrasados em relação aos restantes favoritos mas, comandado pelo carismático Fabian Cancellara (Saxo Bank), de amarelo nesse dia, o pelotão fez um compasso de espera e os luxemburgueses terminaram a etapa integrados no grupo principal. A chegada à meta não teve sprint em sinal de protesto e a organização foi obrigada a neutralizar a etapa.

O de Orgulho. Se já no ano passado se aplicara a palavra "orgulho" para fazer referência à participação portuguesa no Tour, este ano há razões ainda maiores para a repetir. Numa altura em que a modalidade em Portugal se encontra seriamente afectada pelos casos de doping internos, são os nossos "emigrantes" que continuam a entusiasmar o público nacional. Com Manuel Cardoso (Footon-Servetto) a juntar-se a Sérgio Paulinho (Radioshack) e Rui Costa (Caisse d'Épargne), o contigente português atingiu uma dimensão como há muito já não se via. Embora o estreante tenha tido azar - abandonou na sequência de uma queda grave no prólogo -, Sérgio Paulinho brilhou ao conquistar a 10ª etapa e terminou na 46ª posição ga geral, 1h25'43'', enquanto Rui Costa se concentrou em cumprir o objectivo de chegar a Paris, o que conseguiu no 73º posto final, a 2h12'28''. Com o seu lugar no pelotão internacional cimentado, esperamos vê-los novamente no Tour do próximo ano - e, de preferência, com a companhia de Tiago Machado, colega de equipa de Paulinho na Radioshack.

Petacchi surpreendeu ao conquistar a camisola verde

P de Petacchi, o vencedor da camisola verde. No início do Tour, não havia um único comentador que apontasse 'Alejet' como um sério candidato à classificação por pontos - aos 36 anos de idade e sem uma vitória na Volta a França desde 2003, como poderia alcançar o objectivo que falhara quando estava no pico da carreira? O ciclista da Lampre foi oportunista na primeira etapa, confirmou o bom momento de forma com um segundo triunfo na quarta etapa, foi regular em todos os outros sprints colectivos e ultrapassou as montanhas para chegar pela primeira vez a Paris com a camisola mais desejada pelos sprinters. Em suma, a máxima "veni, vini, vinci" aplica-se bem ao veterano italiano - esperemos apenas que a investigação de que está a ser alvo no seu país não venha a apagar a boa impressão deixada neste Tour.

Q de Quedas. A queda de maior impacto na prova foi, certamente, a de Frank Schleck na terceira etapa: se, por um lado, a estratégia do seu irmão Andy sofreu um rude golpe com o abandono forçado em virtude dee uma clavícula partida, por outro, os restantes favoritos ficaram presos na confusão e o mais novo dos Schlecks recuperou tempo precioso. Contudo, nem Andy escapou às quedas numa primeira semana de prova absolutamente massacrante para todo o pelotão, com muitos a prosseguirem em prova com mazelas graves - por exemplo, Tyler Farrar (Garmin) e Cadel Evans (BMC), de pulso e cotovelo fracturados, respectivamente.

R de Radioshack. Apesar de ter subido ao pódio de Paris como vencedora da classificação por equipas, a Radioshack teve uma estreia decepcionante na Volta a França. Este Tour não era para "velhos" mas as quatro estrelas da equipa comandada por Johan Bruyneel - Armstrong, Horner, Leipheimer e Klöden - já têm todas mais de 35 anos, tendo visto as suas dificuldades em seguir com os jovens Contador e Schleck acentuadas por quedas e percalços mecânicos. No final das contas, acabou por ser o "domestique" Sérgio Paulinho a salvar a honra do convento com o seu triunfo na 10ª etapa enquanto Chris Horner foi o único a terminar no top ten da geral.

S de Schleck. Se há alguém capaz de bater Contador, é Andy Schleck. O ciclista da Saxo Bank - traído pela corrente da sua bicicleta num momento decisivo da prova - ficou a uns escassos 39'' de conquistar a desejada camisola amarela. Contudo, o luxemburguês não deve sentir-se desiludido já que se afirmou como nunca no Tour: igualou Jan Ullrich ao conquistar a camisola branca pela terceira vez, estreou-se nas vitórias em etapas da mais famosa prova velocipédica mundial - e logo com dois triunfos, em Morzine-Avoriaz e no alto do Tourmalet -, andou de amarelo durante seis etapas e demonstrou que, embora o seu irmão Frank seja uma importante mais-valia, não depende dele para fazer frente a Contador. Ainda não foi desta mas poucos duvidarão que Schleck está destinado a vencer pelo menos uma Volta a França - a rivalidade com Contador nos próximos anos é prometedora...

Schleck encostou Contador às cordas

T de Twitter. Nem o Tour é imune à era da informação: com o Twitter como meio privilegiado, os ciclistas tomaram de assalto a comunicação social e estreitaram a relação com os fãs. A tendência lançada por Lance Armstrong ainda no ano passado ganhou novo impulso este ano, com mais de uma vintena de ciclistas - entre os quais Contador, os Schlecks, Evans, Sastre, Klöden, Leipheimer, Basso, etc. - a comentarem o dia-a-dia da corrida. As pinturas personalizadas das bicicletas, os estragos causados pelas quedas, as críticas à organização, os quartos de hotel, a comida, os amigos no pelotão... tudo ficou registado no Twitter, abrindo uma janela inédita sobre os bastidores da prova-rainha do ciclismo mundial.

U de Ultracombatividade. A designação correcta é "supercombatividade" mas, à falta de um facto de relevo para a presente letra e com as restantes opções lotadas, faz-se a adaptação para dar o merecido destaque ao prémio conquistado por Sylvain Chavanel. O francês da Quick Step coroou as fugas na segunda e sétima etapas com vitórias e a conquista da camisola amarela mas nem por isso ficou satisfeito, continuando sempre à procura de mais uma hipótese de brilhar. Com tanta garra e sentido de oportunidade, o epíteto de supercombativo atribuído pelo júri da Volta a França cai-lhe que nem uma luva.

Vino venceu uma etapa no Tour 2010

V de Vinokourov. Após dois anos de suspensão na sequência de um controlo anti-doping positivo no Tour 2007, o 'leopardo branco' regressou às estradas da mais famosa prova velocipédica do mundo - e deixou a sua marca com um excelente triunfo na 13ª etapa. No dia anterior, um ataque de Contador - seu colega de equipa na Astana - privara-o, muito provavelmente, da tão desejada vitória mas 'Vino' não baixou os braços e voltou a tentar logo na jornada seguinte, tendo visto o seu ataque a sete quilómetros da meta premiado com a conquista da etapa. A sombra do doping ainda não se desvaneceu mas a verdade é que o cazaque - 16º classificado final - continua a proporcionar grandes momentos de espectáculo no ciclismo.

W de Wanze - Arenberg Port du Hainaut, a célebre e polémica etapa dos seis sectores de pavé. Vários ciclistas criticaram a inclusão deste percurso de homenagem às clássicas do norte numa prova de três semanas, argumentando que os principais favoritos poderiam perder o Tour por um azar no pavé ainda antes de chegarem ao habitual palco de desisões que são as montanhas. Se, por um lado, o desenlace da etapa acabou por lhes dar razão - entre outros incidentes, Frank Schleck abandonou com a clavícula fracturada e um furo ditou o início do fim das aspirações de Lance Armstrong -, por outro, a incursão nas tortusosas estradas do "Inferno do Norte" rendeu espectáculo e emoções fortes. O raciocínio dos ciclistas é falacioso já que quedas e problemas mecânicos também acontecem nas boas estradas e em nenhum ponto o regulamento estipula que a Volta a França se decide obrigatoriamente nas montanhas. Mais, se o pavé é um elemento do ciclismo de estrada, não há razão alguma para que não seja incluído pontualmente no Tour - o público certamente agradece.

Cancellara liderou a Saxo Bank nos sectores de pavé

X de Xavier Florencio. Dos 198 inscritos na Volta a França, o ciclista da Cervélo foi o primeiro a ficar de fora da competição. O espanhol nem sequer chegou a entrar em prova já que foi suspenso pela própria equipa na véspera do prólogo em virtude se ter automedicado com um produto que continha efederina. Contudo, a rápida decisão da Cervélo de excluir Florencio não foi recompensada com a autorização por parte da organização para o substituir - a equipa suíça alinhou assim na partida em Roterdão com apenas oito ciclistas.

Y de Yaroslav Popovych, um dos mais notáveis "aguadeiros" do pelotão. Nem todos os ciclistas vão ao Tour para ganhar o que quer que seja mas o sucesso dos melhores depende em grande parte da ajuda de homens como o ucraniano da Radioshack. 'Popo', que até já terminou uma vez no top ten da Volta a França - foi oitavo na edição de 2007 -, ficou-se pelo 85º posto final mas é digno de destaque por representar todos os ciclistas que esquecem as ambições pessoais e realizam um trabalho quase invisível em prol das respectivas equipas e líderes.

Z de Zaragatas. Este Tour não foi parco em confusões: teve cabeçadas, murros e traições entre colegas de equipa. Se Renshaw acabou expulso pelas cabeçadas que deu a Julian Dean durante o sprint, Carlos Barredo (Quick Step) e Rui Costa (Caisse d'Épargne) safaram-se de boa ao receberem apenas uma multa depois de se terem envolvido em cenas de pancadaria após cruzarem a meta da sexta etapa, com o espanhol a agredir o português com a roda dianteira da sua bicicleta. Estes dois casos foram visíveis a todos mas, na Ag2r, viveu-se uma situação igualmente complicada: na 15ª etapa, John Gadret recusou-se a dar a sua roda a Nicolas Roche - o melhor classificado da equipa - quando este furou a seis quilómetros da chegada ao alto, embora o irlandês tivesse prioridade na hierarquia da Ag2r. A julgar pelas duras palavras de Roche no seu blog, o ambiente na equipa francesa na última semana do Tour deve ter sido de cortar à faca...

# Artigo de Margarida Martins
Publicado às 14:45


Domingo, Julho 25, 2010

Tour de France - Etapa 20

» Cavendish triunfa em Paris, Contador confirma conquista do terceiro Tour


Foto GETTY IMAGES

+ Depois de três semanas de dura competição, a Volta a França 2010 terminou hoje em Paris com a subida de Alberto Contador (Astana) ao lugar mais alto do pódio. Contudo, se o espanhol, agora tricampeão, aprofundou a sua marca na história do Tour, também um outro ciclista entrou para o livro dos recordes ao tornar-se no primeiro a vencer pelo segundo ano consecutivo a etapa com final nos Campos Elísios: à semelhança do que se passou em 2009, Mark Cavendish (HTC Columbia) impôs-se no sprint colectivo e cortou a meta com metros de vantagem sobre os adversários. Embora a camisola verde tenha ficado para Alessandro Petacchi (Lampre), o inglês terminou o Tour em grande, conquistando a sua quinta vitória em etapas e demonstrando mais uma vez porque é considerado o melhor sprinter da actualidade.

+ Em concordância com a tradição de fechar a Volta a França com uma etapa essencialmente de consagração. o percurso de hoje resumia-se apenas a 102 km entre Longjumeau e a meta instalada nos Campos Elísios, com os cinquenta quilómetros finais a serem percorridos em circuito no centro de Paris. A tentativa da Radioshack de envergar um equipamento alusivo à fundação de Lance Armstrong - a Livestrong - acabou por atrasar em alguns minutos a partida real para a prova, já que todos os ciclistas da equipa norte-americana foram obrigados a vestir as camisolas habituais. No entanto, num dia em que os primeiros cinquenta quilómetros foram cumpridos em ritmo de passeio, este foi apenas mais dos factores que retardou a chegada do pelotão a Paris. Contudo, a entrada no circuito final rapidamente recordou todos os ciclistas que ainda havia uma etapa por discutir. Uma sequência de ataques permitiu a formação de uma fuga mas o pelotão manteve a distância sempre sob controlo, absorvendo o grupo de ciclistas escapados no início da última volta ao circuito. Sem o habitual comboio da HTC-Columbia, Mark Cavendish posicionou-se na roda de Petacchi à entrada para a última curva antes da meta e, quando finalmente arrancou para o sprint, nenhum outro ciclista teve pernas para ele. Alessandro Petacchi confirmou a conquista da camisola verde com o segundo lugar no sprint, enquanto o vencedor do ano passado, Thor Hushovd (Cervélo), perdeu mesmo o segundo posto na classificação por pontos para Cavendish em virtude do modesto sétimo lugar na etapa.

+ Sem problemas nesta tirada final do Tour 2010, Alberto Contador celebrou o seu terceiro triunfo na mais famosa prova velocipédica do mundo com um tempo acumulado de 91h58'48'', menos trinta e nove segundos do que o segundo classificado Andy Schleck (Saxo Bank). Se muitos já acreditam que o espanhol igualará o feito do seu compatriota Miguel Indurain, também é difícil não imaginar uma vitória no Tour no futuro de Schleck. Desta feita, porém, o luxemburguês teve que se contentar com o segundo lugar da geral... e a vitória na classificação da juventude pelo terceiro ano consecutivo, igualando o recorde de Jan Ullrich. Regressando às contas da classificação geral, Denis Menchov (Rabobank) arrecadou o seu primeiro pódio na Grande Boucle, registando 2'01'' de perda em relação ao grande vencedor. Samuel Sánchez (Euskaltel Euskadi) e Jurgen van den Broeck (Lotto) foram quarto e quinto classificados, respectivamente a 3'40'' e 6'54'', enquanto o ciclista da Rabobank Robert Gesink - o segundo na classificação da juventude - terminou na sexta posição, com 9'31'' de perda. Ryder Hesjedal (Garmin) beneficiou do abandono do seu chefe-de-fila, Christian vande Velde, para surpreender com um excelente sétimo lugar final, a 10'15'', à frente de Joaquín Rodriguez (Katusha), com 11'37'' de atraso em relação a Contador. O top ten desta edição do Tour é fechado pelo jovem Roman Kreuziger (Liquigas) e pelo veterano Chris Horner (Radioshack), respectivamente a 11'54'' e 12'02'' do vencedor. Entre os restantes ciclistas, o destaque vai para dois grandes nomes que cumpriram a sua última Volta a França: Christophe Moreau (Caisse d'Épargne) e Lance Armstrong (Radioshack) despediram-se do Tour nas 22ª e 23ª posições finais, a 34'01'' e 39'20'' do vencedor. No caso do heptacampeão do Tour, o resultado ficou bem aquém das suas expectativas mas, graças à vitória da Radioshack na classificação por equipas, o 'boss' pôde pisar por uma última vez o pódio de Paris.

+ Em relação aos restantes prémios, e como já foi referido, Alessandro Petacchi arrecadou a camisola verde, surpreendendo tudo e todos já que ninguém o colocava entre os favoritos a esta classificação no início da prova. O italiano venceu duas etapas, foi regular nos restantes sprints e conseguiu passar as montanhas - o seu calcanhar de Aquiles - para reclamar pela primeira vez na carreira a camisola dos pontos. Agora resta esperar que a investigação ao ciclista da Lampre que actualmente decorre no seu país de origem não venha a ditar a desclassificação deste Tour... Entretanto, Anthony Charteau (BBox) e Sylvain Chavanel (Quick Step) alegraram o público francês ao subirem ao pódio dos Campos Elísios como vencedores, respectivamente, da classificação de montanha e do prémio de supercombatividade.

+ Quanto aos portugueses, Sérgio Paulinho (Radioshack) concluiu a sua terceira Volta a França na 46ª posição da geral, a 1h25'43'', e subiu também pela terceira vez ao pódio dos Campos Elísios como elemento da equipa vencedora da classificação colectiva. Já Rui Costa (Caisse d'Épargne) - 73º classificado, a 2h12'28'' - teve a satisfação de chegar pela primeira vez na carreira a Paris, depois de, no ano passado, a sua participação ter tido um fim precoce devido a uma queda. Na classificação relativa à camisola branca, Rui Costa foi ainda o 12º classificado entre os trinta e dois ciclistas que terminaram a prova.

+ Por este ano, a Volta a França terminou hoje - mas só na estrada, já que amanhã haverá um balanço final da prova aqui no Livre Indirecto.

# Artigo de Margarida Martins
Publicado às 23:59



Fórmula 1: Alemanha

» Ordens de equipa ditam vitória polémica de Alonso


Foto ASSOCIATED PRESS

FÓRMULA 1 | GP Alemanha » classificações » pilotos » construtores

+ A corrida de Fórmula 1 disputada hoje no circuito de Hockenheim terminou manchada por uma situação polémica: ainda que as ordens de equipa sejam proibidas, a Ferrari terá instruído Felipe Massa a facilitar a ultrapassagem de Fernando Alonso, que viria assim a vencer a prova. Como a ordem não foi explícita, o resultado será validado mas a construtora italiana não se livra de uma pesada multa. Porém, acaba por ser um castigo pequeno quando a "recompensa" desta manobra de bastidores é a reentrada de Fernando Alonso na discussão pelo título mundial...

+ Ofuscada pela Red Bull e pela McLaren ao longo de toda a temporada, a Ferrari voltou às prestações de topo neste Grande Prémio da Alemanha. Na qualificação, Alonso ficou apenas a vinte milésimas de segundo de bater Sebastian Vettel (Red Bull) para a pole position, enquanto Massa registou o terceiro tempo. Contudo, o arranque para a prova proporcionou a inversão das posições: a tentativa de defesa de Vettel em relação a Alonso abriu caminho para Felipe Massa saltar da terceira posição para a liderança da corrida, enquanto o seu colega de equipa conseguia igualmente ultrapassar o rival da Red Bull. A partir daí, os dois Ferrari rapidamente ganharam vantagem sobre os seus perseguidores, ficando a vitória na prova em discussão entre si. Alonso registou quase sempre tempos melhores do que o seu companheiro de equipa mas Massa defendeu com sucesso a sua posição até, na 47ª volta, o seu engenheiro lhe dizer no rádio que o bicampeão mundial estava mais rápido, perguntando-lhe de seguida se tinha percebido a mensagem. Poucas curvas depois, Massa deu a confirmação, com a saída lenta de uma curva a permitir a ultrapassagem de Alonso. No final do Grande Prémio, o brasileiro da Ferrari teve que se contantar com o segundo posto, à frente do Sebastian Vettel. Os pilotos da McLaren, Lewis Hamilton e Jenson Button, foram respectivamente quarto e quintos classificados, enquanto Mark Webber terminou na sexta posição. Robert Kubica (Renault) foi sétimo, superando os Nico Rosberg e Michael Schumacher, ambos da Mercedes. Os lugares pontuáveis foram fechados pelo outro piloto da Renault, Vitaly Petrov, o décimo classificado nesta prova.

+ No campeonato do mundo de pilotos, a liderança segue entregue a Lewis Hamilton, que soma 157 pontos contra os 143 de Button. Webber e Vettel estão empatados na terceira posição, com 136 pontos, enquanto Alonso continua como quinto classificado, agora com 123 pontos somados. Quanto à tabela de construtores, a McLaren naturalmente lidera, sendo perseguida de perto pela Red Bull. A Ferrari, por outro lado, regista já quase cem pontos de perda em relação à equipa inglesa, embora ocupe o terceiro posto da classificação de construtores.

+ O próximo Grande Prémio de Fórmula 1 terá lugar na Hungria, em Budapeste, daqui a uma semana. Ainda com oito provas para o final da temporada, ambos os campeonatos seguem em aberto - e a aparente recuperação da Ferrari poderá mesmo trazer novas surpresas já no próximo fim-de-semana.

# Artigo de Margarida Martins
Publicado às 19:30


Sábado, Julho 24, 2010

Tour de France - Etapa 19

» Os trinta e nove segundos que fazem toda a diferença


Foto GETTY IMAGES

+ Um guionista de Hollywood não escreveria um final melhor: salvo um caso de azar extremo na etapa de amanhã, Alberto Contador (Astana) celebrará a sua terceira vitória na Volta a França com uma vantagem de trinta e nove segundos sobre Andy Schleck (Saxo Bank), precisamente o tempo que ganhou ao luxemburguês no já mais do que discutido "épisódio da corrente" da 15ª etapa. Contrariando a superioridade teórica do espanhol, Schleck ainda ameaçou a reviravolta nos primeiros quilómetros do contra-relógio de hoje mas Contador conseguiu manter a calma e acabou por fazer um registo trinta e um segundos mais rápido do que o seu rival. As emoções fortes geradas por esta luta intensa ofuscaram inclusivamente o grande vencedor da etapa, Fabian Cancellara (Saxo Bank), que mais uma vez confirmou o domínio total na disciplina do contra-relógio.

+ O percurso do único contra-relógio individual de longo curso do Tour 2010, com 52 km de extensão e perfil plano, ligou Bordéus a Pauillac. Os primeiros ciclistas a saírem para a estrada - entre os quais, Fabian Cancellara - foram beneficiados pela ausência de vento frontal, que mais tarde afectou os tempos dos melhores classificados na geral. Vencedor já do prólogo, 'Spartacus' cumpriu os 52 km em 1h00'56'' e viu o seu triunfo ameaçado apenas por Tony Martin (HTC Columbia), que ficou a dezassete segundos de bater o campeão do mundo de contra-relógio. Alberto Contador e Andy Schleck, os últimos a entrar em acção, encontraram já vento de frente e terminaram bem longe do registo de Cancellara: o espanhol foi 35º, a 5'43'', e o luxemburguês 44º, a 6'14'' do seu colega de equipa. Porém, o vento não justifica por si só a mais que modesta prestação de Contador neste contra-relógio. Aparentemente desconfortável na bicicleta - escorregava sobre o selim e era obrigado a reajustar a posição de quatro em quatro segundos -, o ex-campeão espanhol de contra-relógio andou longe do seu melhor, chegando a registar seis segundos de perda para Schleck à passagem do quilómetro vinte. A partir daí, contudo, o ritmo do luxemburguês começou a quebrar e Contador foi progressivamente aumentando a vantagem sobre o seu rival. No final, as lágrimas de "el pistolero" foram esclarecedoras: o terceiro Tour está ganho mas nunca Contador tinha encontrado um rival tão feroz, já que Schleck não só o igualou nas montanhas como demonstrou hoje que está melhorar no contra-relógio. Aliás, ainda que o espanhol não tenha estado nos seus melhores dias, os curtos vinte e um segundos de diferença entre os dois na etapa de hoje tem tanto de mérito de Andy Schleck como de demérito de Contador.

+ Se nada de anormal se passar amanhã, Contador sagrar-se-á então vencedor deste Tour por trinta e nove segundos de vantagem sobre Andy Schleck, o líder da classificação da juventude. No terceiro lugar do pódio estará Denis Menchov (Rabobank), que, graças a um excelente 11º lugar no contra-relógio, a 3'51'' de Cancellara, ultrapassou Samuel Sánchez (Euskaltel Euskadi) na classificação geral. Jurgen van den Broeck (Lotto) e Robert Gesink (Rabobank) seguraram a quinta e sexta posições, respectivamente, enquanto Joaquin Rodríguez (Katusha) perdeu o sétimo posto final para Ryder Hesjedal (Garmin). A fechar o top ten continuam Roman Kreuziger (Liquigas) e Chris Horner, com a curiosidade deste último ser o melhor representante da Radioshack, uma equipa com nomes como Lance Armstrong, Levi Leipheimer e Andreas Klöden... No entanto, e apesar de uma prestação longe das expectativas iniciais, a equipa norte-americana terá confirmado hoje o triunfo na classificação por equipas. Em relação às restantes classificações, Anthony Charteau (BBox) já tem garantida a vitória na tabela de montanha enquanto a camisola verde continua à mercê de Alessandro Petacchi (Lampre), o actual dono, Thor Hushovd (Cervélo) e Mark Cavendish (HTC Columbia). De consagração ou não, a etapa de amanhã promete pegar fogo à conta desta luta pela camisola dos pontos... Por fim, refira-se ainda que Sylvain Chavanel (Quick Step) subirá amanhã ao pódio de Paris para receber o prémio de super-combatividade.

+ Quanto aos dois portugueses ainda em prova, Sérgio Paulinho (Radioshack) e Rui Costa (Caisse d'Épargne) cumpriram o contra-relógio, respectivamente, com os 90º e 122º melhores registos, correspondentes à perda de 7'49'' e 9'02'' em relação a Cancellara. Apesar da prestação discreta, o ciclista da Radioshack mantém o 46º posto da geral, a 1h25'43'' de Contador, enquanto Rui Costa desceu apenas um lugar, encontrando-se em vias de completar o seu primeiro Tour na 73ª posição, a 2h12'28''.

+ A etapa de amanhã - a vigésima e última da Volta a França 2010 - sairá de Longjumeau com destino à já habitual consagração nos Campos Elísios, em Paris. O percurso de 102,5 km incluirá oito voltas ao circuito no centro da capital francesa, nas quais se contam dois sprints intermédios. Com a atribuição da camisola verde ainda por decidir, é provável que estes sprints sejam tão disputados quanto o da chegada à meta, logo, o dia de amanhã promete um final emocionante para a presente edição de La Grande Boucle.

# Artigo de Margarida Martins
Publicado às 22:34


Sexta-feira, Julho 23, 2010

Tour de France - Etapa 18

» Cavendish conquista quarto triunfo, Contador segue de amarelo


Foto REUTERS

+ Tal como se previa, a 18ª etapa da Volta à França foi decidida em sprint colectivo. Mark Cavendish (HTC-Columbia) voltou a ser mais forte do que os restantes e garantiu a sua quarta vitória nesta edição da prova-rainha do ciclismo mundial. Caso vença nos Campos Elísios no domingo, o ciclista inglês terminará a prova apenas a um triunfo do registo do ano passado - nada mau para quem começou o Tour aparentemente tão longe do seu melhor...

+ Depois das difíceis montanhas dos Pirenéus, a jornada de hoje soube quase a descanso ao pelotão: os 198 km entre Salies-de-Béarn e Bordéus apresentavam perfil plano e a etapa foi disputada a um ritmo não muito elevado. Depois de uma primeira tentativa falhada, a fuga do dia formou-se à passagem pelo quilómetro onse, com Daniel Oss (Liquigas), Matti Breschel (Saxo Bank), Benoît Vaugrenard (FDJ) e Jérôme Pineau (Quick Step) a isolarem-se na frente da corrida. Contudo, a acirrada disputa pela camisola verde que tem animado este Tour manteve o pelotão sempre atento à vantagem do quarteto de ciclistas escapados, culminando na neutralização da fuga a quatro quilómetros da meta. Os 'comboios' dos sprinters entraram em acção e o sprint colectivo foi lançado, com Mark Cavendish a superar por larga distância Julian Dean (Garmin) e Alessandro Petacchi (Lampre), respectivamente segundo e terceiro classificados. O ciclista inglês falhará, provavelmente, a conquista da camisola verde mas a etapa de hoje foi mais uma demonstração da sua superioridade nos sprints colectivos.

+ Na véspera do contra-relógio individual, Alberto Contador (Astana) mantém os oito segundos de vantagem sobre Andy Schleck (Saxo Bank), segundo classificado da geral e líder da classificação da juventude. Na luta pelo terceiro lugar no pódio de Paris seguem Samuel Sánchez (Euskaltel Euskadi) - 3º. a 3'32'' - e Denis Menchov (Rabobank) - 4º a 3'53'', com Jurgen van den Broeck (Lotto) num não muito distante quinto lugar, a 5'27''. O top ten estará, à partida, fechado, já que o décimo classificado, Chris Horner (Radioshack), tem mais de dois minutos de vantagem sobre Luis-Léon Sánchez (Caisse d'Épargne), o ciclista imeditamente abaixo na tabela. Se a camisola de montanha já está mais do que entregue a Anthony Charteau (BBox), por outro lado, a luta pela camisola verde apenas terá o seu epílogo na chegada aos Campos Elísios. Em virtude de ter sido apenas o 14º classificado na etapa de hoje, Thor Hushovd (Cérvelo) voltou a ceder a camisola dos pontos a Alessandro Petacchi, que agora lidera com 213 pontos contra os 203 do norueguês e os 197 de Mark Cavendish. 'Alejet' é o favorito à vitória final mas o italiano não poderá descurar as ameaças representadas por Hushovd e Cavendish...

+ Os dois representantes nacionais ainda em prova concluíram a etapa integrados no pelotão, com Rui Costa (Caisse d'Épargne) a cruzar a meta no 89º posto e Sérgio Paulinho (Radioshack) no 93º. Consequentemente, a classificação geral de ambos não sofreu qualquer alteração: Sérgio Paulinho segue como 46º classificado e Rui Costa mantém-se na 72ª posição.

+ Amanhã será, certamente, o dia do juízo final para as contas da classificação geral: o contra-relógio de 52 km entre Bordéus e Pauillac decidirá o vencedor, o terceiro classificado, o top ten, ... enfim, tudo. Em relação à camisola amarela, Alberto Contador deverá ter vantagem sobre Schleck mas qualquer infortúnio do espanhol poderá reverter a situação a favor do seu rival luxemburguês. Entretanto, será também a última oportunidade de Contador vencer uma etapa no presente Tour, já que domingo é dia para os sprinters. Porém, para que tal aconteça, o ciclista da Astana terá que superar os especialistas do contra-relógio, entre os quais se destaca Fabian Cancellara (Saxo Bank).

# Artigo de Margarida Martins
Publicado às 23:59


Quinta-feira, Julho 22, 2010

Tour de France - Etapa 17

» Contador cede vitória no Tourmalet a Schleck mas defende a camisola amarela


Foto ASSOCIATED PRESS

+ É habitual dizer-se que a Volta a França se decide nas montanhas mas, após a última incursão nos Pirenéus deste Tour 2010, são apenas oito segundos que continuam a separar Alberto Contador (Astana) e Andy Schleck (Saxo Bank). Os dois primeiros classificados da geral isolaram-se dos restantes ciclistas a dez quilómetros do final, ultrapassaram os últimos sobreviventes da fuga do dia e, sem que nenhum conseguisse deixar o outro para trás, chegaram juntos à meta no alto do Tourmalet depois uma subida brilhante, sempre em ritmo elevado. Consciente de que o jogo está a seu favor não tanto pelos oito segundos de diferença sobre o rival mas pela vantagem teórica no contra-relógio individual de sábado, Contador nem sequer disputou a vitória com Schleck, permitindo que o luxemburguês somasse o segundo triunfo em etapas na presente edição da Volta a França.

+ Em ano de comemoração do centenário da primeira passagem pelos Pirenéus, a jornada de hoje perfilava-se, sem dúvida, como a etapa-rainha do Tour 2010: com saída de Pau, o percurso de 174 km incluía a Côte de Renoir (4ª categoria), o Col de Marie-Blanque (1ª categoria) e o Col du Soulor (1ª categoria), culminando na chegada ao alto ao Col du Tourmalet, de categoria especial. Seria difícil imaginar um cenário melhor para o tira-teimas entre Alberto Contador e Andy Schleck, os dois melhores trepadores da actualidade... O arranque relativamente suave da etapa permitiu que sete ciclistas escapassem do pelotão logo ao terceiro quilómetro. Contudo, o primeiro grande protagonista do dia acabaria por ser Samuel Sánchez (Euskaltel Euskadi), que viu a sua permanência em prova momentaneamente em risco após uma queda ao quilómetro vinte e cinco. Felizmente para a competição pelo pódio, não só pôde continuar em prova como o pelotão reduziu o ritmo para facilitar a sua reentrada. Depois deste incidente, a corrida manteve-se calma até à aproximação ao Tourmalet, quando a vantagem da fuga sobre o grupo do camisola amarela começou a diminuir. Carlos Sastre (Cervélo), que tentara juntar-se aos ciclistas escapados, foi apanhado ainda antes da última subida do dia, enquanto a fuga se começou a desintegrar já na própria contagem de montanha. Com o pelotão já muito reduzido, Andy Schleck lançou o seu primeiro ataque a dez quilómetros da meta. Alberto Contador foi o único que conseguiu responder à aceleração do luxemburguês, com os dois a deixarem os restantes adversários progressivamente para trás e a ultrapassarem Alexandr Kolobnev (Katusha) - o último sobrevivente da fuga - a pouco mais de oito quilómetros do final. Schleck ainda endureceu o ritmo por várias vezes mas 'el pistolero' nunca fraquejou; e, face à única tentativa de ataque de Contador, o ciclista da Saxo Bank também soube dar resposta imediata. Se, na chegada à meta, foi Schleck a inscrever o seu nome entre os grandes vencedores no Tourmalet, Contador também não ficou mal na fotografia ao "oferecer" a vitória ao seu rival: depois do 'caso da corrente', poderia haver melhor forma de reconquistar a opinião pública?

+ Na sequência desta etapa, Contador continua então como dono da camisola amarela por uns meros oito segundos de vantagem sobre Andy Schleck. A luta entre Samuel Sánchez e Denis Menchov (Rabobank)pelo lugar mais baixo do pódio segue igualmente ao rubro: apesar da queda no início da etapa de hoje, o espanhol - o quinto a cruzar a meta, a 1'32'' - conseguiu ganhar mais oito segundos de vantagem sobre Menchov, elevando a diferença na geral para vinte e um segundos (Sánchez encontra-se a 3'32'' do líder enquanto Menchov regista 3'53'' de atraso). Jurgen van den Broeck (Lotto) e Robert Gesink (Rabobank) conservam a quinta e sexta posições, respectivamente a 5'27'' e 6'41''. Joaquin Rodríguez (Katusha) e Ryder Hesjedal (Garmin) beneficiaram de um péssimo dia de Levi Leipheimer (Radioshack) - 43º na etapa, a 8'59'' - e Alexandre Vinokourov (Astana) - 49º classificado, a 10'45'' - para subirem ao sétimo e oitavo posto da geral. A má prestação do norte-americano e do cazaque na etapa de hoje atirou-os mesmo para fora do top ten da classificação geral, cedendo lugar a Roman Kreuziger (Liquigas) e Chris Horner (Radioshack), agora nono e décimo classificados. Nas contas da camisola branca, a liderança de Andy Schleck vai ficando cada vez mais cimentada, enquanto Anthony Charteau (BBox) viu hoje matematicamente garantida a vitória na classificação de montanha. Ao nível da camisola verde, Thor Hushovd sobreviveu a mais um dia duro nas montanhas para se manter como líder da tabela por pontos.

+ Quanto aos dois ciclistas portugueses ainda em prova, Sérgio Paulinho (Radioshack) foi o 42º a cruzar a meta, 8'59'' depois de Schleck e Contador e na companhia de Levi Leipheimer, e Rui Costa (Caisse d'Épargne) o 61º, com 12'05'' de atraso. Em virtude destes resultados, ambos subiram na classificação geral: Sérgio Paulinho ocupa agora o 46º lugar da tabela, a 1h'23'37'', enquanto o ciclista da Caisse d'Épargne ascendeu à 72ª posição da geral, com as 2h09'09'' de perda a corresponderem, para já, ao 11º posto da classificação da juventude.

+ O dia de amanhã assinala o regresso às etapas de perfil plano. Com a luta pela camisola verde ao rubro, os 198 km entre Salies-de-Béarn e Bordéus terminarão quase de certeza com uma chegada ao sprint em pelotão compacto - resta saber se os pontos relativos aos dois sprints intermédios também movimentarão o pelotão...

# Artigo de Margarida Martins
Publicado às 23:50


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